Numa rápida pesquisa na internet, vemos o significado da palavra cartoon. Dentre algumas descrições, encontramos a de que cartoon é um desenho humorístico acompanhado ou não de legenda, com natureza crítica, descrevendo de forma abreviada algo que envolve o dia a dia de uma sociedade. Por conta de semelhanças de estilo entre as tiras de jornal e as os primeiros curtas-metragens de animação, tal termo é empregado em ambos os estilos – ilustração e animação. Ou seja, cartoon é designa as animações, programas de televisão geralmente designados às crianças e/ou com temas infantis.

Hoje em dia, existem muitas opções de desenhos e programas infantis. Canais de TV como Cartoon Network, Discovery Kids, Gloob, além de canais de streaming e internet em geral, fornecem uma boa quantidade à escolha de seus minis telespectadores. No entanto, a preocupação sobre o que cada criança assiste é dos pais. Sem dúvida, os pais devem se interessar no que seus filhos têm assistido. Afinal, isso pode influenciar na conduta imediata dos filhos – falo isso com propriedade, pois tenho uma filha de dois anos e meio, que repete tudo aquilo que assiste.

Obviamente que a televisão, tablets e outros não são os vilões, desde que usados com equilíbrio, não somente no tempo gasto, mas, principalmente no conteúdo. Observamos muitas produções de baixíssima qualidade, tanto nos roteiros como nas concepções artísticas. Quando falamos desse assunto, alguns sempre acabam partindo para a primícias de que desenho tem que educar, ensinar e estimular a criatividade. Bem, tais cartoons com esse objetivo são, de fato, importantes e ajuda no desenvolvimento da criança. Mas, mais uma vez lembramos da palavra equilíbrio. Nada deve ser tão maçante, exagerado. Não devemos esquecer que desenhos são também para divertir e descontrair. A criança não precisa ser o tempo todo direcionada para algo que estimule, ensine ou eduque. Como diz um provérbio antigo, “há o tempo certo para tudo”.

Existe uma responsabilidade que é intrasferível: Educar os filhos cabe somente aos pais. Não devemos delegar isso a outros e nem mesmo esperar que assistindo algo nossos filhos terão tudo que precisa. Educar filhos envolve muito mais do que muitos imaginam. Não queremos entrar a fundo neste assunto, mas podemos citar que estimular a criatividade, participar, ensinar coisas novas, é principalmente função dos pais, que podem, inclusive, usar tais ferramentas como auxílio.

Quais opções encontramos hoje? Para citar as animações mais destacadas, podemos lembrar de “O Show da Luna”, “Miraculous, as Aventuras de Ladybug”, “Meu Amigãozão”, “Peppa Pig”, “Backyardigans”, “Doki”, “Alvinn e os Esquilos”, enfim, a lista é quase interminável. A forma como cada criança consome tais cartoons, cabe aos pais decidir. Isso porque conhecem melhor do que ninguém o pouco da personalidade que seus filhos já desenvolveram e também o efeito que produzem neles. São decisões pontuais. Por exemplo, falando de uma animação específica, muitos reclamam da Peppa, alegando que ela se refere ao seu pai como bobinho, às vezes, tolinho, e, por isso, impedem as crianças de assistir. Outros, não enxergam isso como algo problemático. Deveras, como já mencionado, talvez os pais decidam tomar determinado caminho por conta do efeito produzido nos filhos.

De forma geral, todos os cartoons mencionados são de relativa qualidade e com conteúdos interessantes. Desenhos como “O Show da Luna” divertem e ensinam ao mesmo tempo. Além de apresentar uma menina como protagonista, livre de qualquer estereótipo, nada rosa nem tão fofinho, roupas normais e muito longe daquele mundo perfeito (e mentiroso) que muitos desenhos apresentam. Este foi só um exemplo. Outros, como “Amigãozão”, apresentam roteiros com brincadeiras que pode dar errado, problemas de relacionamentos que podem ser resolvidos. “Backyardigans”, explora o lado mais imaginário da criança.

Uma questão interessante é puxarmos na memória a nossa época de criança. Que tipos de desenhos assistíamos? Talvez, “Tom e Jerry”, “Papa Léguas”, “piu piu e frajola”, “Pernalonga”, “Looney Tunes”, “Pica Pau”, “Meninas Super Poderosas”, para os mais grandinhos tinha “Caverna do Dragão”, “Thundercats”, “Os Cavaleiros do Zodíaco”, “Pokémon” – apenas para citar alguns. Muito provavelmente, muitos desses desenhos se fossem lançados nos dias atuais, seriam duramente criticados e rejeitados. São cartoons que tinham qualidades, que, francamente, parece que se perdeu se comparado com algumas produções atuais. Mas, recentemente ouvi alguém dizer que o pica pau é violento e estimula traquinagens, pois o personagem sempre se dá bem fazendo maldades. Não deixa de ser uma verdade. Mas cresci assistindo esse desenho e nem por isso acredito que devo fazer maldades aos outros. Isso porque quem me educou foram meus pais e não o desenho. Eu apenas me divertia assistindo. É evidente que as crianças de hoje não são as mesmas crianças de anos atrás. Hoje em dia, parece que as crianças tem apresentado uma capacidade de discernimento maior, assimilação mais veloz e cada vez mais cedo. Então isso nos leva a concluir que os cuidados com os nossos pequenos de hoje não são os mesmo de antes. Mas, eles continuam crianças, se é que me entende.

Outro estilo de cartoons infantis que tem sobrevivido, mas parece não ter o mesmo destaque de antes, são os ilustrados, como os gibis, por exemplo. Eu lia muito e adorava. Principalmente o mais conhecido aqui no Brasil, os gibis da Monica. Com a facilidade da tecnologia, muitas crianças já preferem, naturalmente, os tablets e celulares. Mas, raramente usam tais dispositivos para leitura. Mas, particularmente, acho os cartoons ilustrados os mais interessantes, pois, estes mais ainda estimulam a criatividade, ajudam a melhorar a concentração, explora a imaginação, e, geralmente, apresentam um mundo mais real, menos perfeito e “conto de fadas”. Sobre o conteúdo, sempre terão aqueles que contestam o valor e o efeito que produzem nas crianças, até mesmo nesse estilo de cartoons. Mas, como tudo nesse mundo é contestável e questionável, cada um poderá decidir por si só.

As opções das mais variáveis formas, estilos e seguimentos estão disponíveis e com facilidade. Somos donos dos nossos lares e responsáveis pela criação de nossos filhos. Ninguém melhor do que nós para escolher o que nossos filhos devem ou não assistir. Que possamos pensar com a mente de pais e com a mente de criança!